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Blog · Evidência para otorrinolaringologistas

Cirurgia ORL em consultório: o que a evidência diz sobre tolerância, segurança e custo

Revisões sistemáticas e documentos de peritos sobre procedimentos de otorrinolaringologia em consultório sob anestesia local: indicações, tolerância, complicações, custos e organização.

Publicado a · Equipa editorial do curso IN OFFICE

A cirurgia ORL em consultório consiste em realizar procedimentos nasais, sinusais, da trompa de Eustáquio e da laringe fora do bloco operatório, sob anestesia local ou tópica, com o doente acordado. Este artigo resume o que as revisões publicadas e os documentos de peritos referem sobre indicações, tolerância, segurança, custo e organização, para especialistas e internos de otorrinolaringologia que pensam começar a fazer estes procedimentos.

Que procedimentos se fazem em consultório

Uma revisão narrativa de 2025 na Frontiers in Allergy (Alokby) inclui a crioterapia, a neurólise por radiofrequência, os implantes da válvula nasal, a redução de cornetos, a dilatação com balão da trompa de Eustáquio e dos óstios sinusais e a cirurgia endoscópica sinusal entre os procedimentos atuais de rinologia em consultório. Na laringologia, o consenso europeu de 2026 sobre laringologia em consultório (Lechien et al., Laryngoscope) indica como principais indicações os pólipos, o edema de Reinke, as varizes e a leucoplasia, além das biópsias, granulomas, papilomatose e aumento das cordas vocais em casos selecionados.

Tolerância e segurança

  • Uma revisão sistemática de 2026 sobre procedimentos com o doente acordado na rinossinusite crónica (Nardelli et al., European Archives of Oto-Rhino-Laryngology) incluiu 11 estudos e 1283 doentes. As complicações foram pouco frequentes e sobretudo minor, a tolerância variou entre 82% e 95%, e 72% a 95% dos doentes repetiriam o procedimento.
  • Numa série retrospetiva de oito anos citada por Alokby, 2,5% dos procedimentos em consultório (8 de 314) foram interrompidos por episódios vasovagais ou hemorragia.
  • Um artigo do comité de segurança do doente da AAO-HNS (Young, 2020) aponta a ansiedade ou intolerância, a epistaxe, a resposta vasovagal, a tosse e o reflexo de vómito como as complicações minor habituais, e recomenda medir a tensão arterial e a frequência cardíaca antes e depois do procedimento.

Custo

Uma revisão de 13 estudos que compararam a cirurgia laringofaríngea em consultório e no bloco (Schimberg et al., 2019) encontrou custos mais baixos no consultório em todos os estudos: menos 22% a 46% nos custos hospitalares, e menos 27% a 95% incluindo os honorários médicos. Os autores sublinham que os valores variaram muito, por isso a poupança depende de cada sistema de saúde e do modelo de financiamento.

O que o consultório precisa

Alokby recomenda que o consultório tenha equipamento de monitorização, material de reanimação e medicação de emergência, e descreve o bom candidato como um doente alerta, colaborante e capaz de tolerar a instrumentação nasal sem sofrimento. A seleção dos doentes, a técnica de anestesia tópica e local e um protocolo claro para episódios vasovagais são a base de um serviço seguro.

Limites da evidência

Grande parte da evidência publicada vem de séries de casos e coortes sem grupo de controlo, e os dados de custo dependem muito do sistema de saúde. Os resultados de centros experientes podem não se transferir diretamente para um serviço novo, e é por isso que a formação estruturada e supervisionada é importante antes de começar.

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Fontes

  1. Alokby G. Contemporary office-based procedures in rhinology: a narrative review. Front Allergy. 2025;6:1554792. doi:10.3389/falgy.2025.1554792
  2. Nardelli D, et al. A comprehensive systematic review on the efficacy, safety, and tolerability of awake procedures for chronic rhino-sinusitis. Eur Arch Otorhinolaryngol. 2026;283(7):4155-4169. doi:10.1007/s00405-026-10130-1
  3. Schimberg AS, et al. Office-based vs. operating room-performed laryngopharyngeal surgery: a review of cost differences. Eur Arch Otorhinolaryngol. 2019;276(11):2963-2973. doi:10.1007/s00405-019-05617-z
  4. Young VN. Safety of office-based laryngology procedures. AAO-HNS Bulletin, 2020
  5. Lechien JR, et al. European Practice Consensus on Office-Based Laryngology. Laryngoscope. 2026. doi:10.1002/lary.70869

Escrito para profissionais de saúde. Este resumo não substitui as publicações originais nem o juízo clínico.

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