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Blog · Evidência para otorrinolaringologistas

Dilatação da trompa de Eustáquio com balão: definições, consenso e ensaios

Subtipos de disfunção da trompa de Eustáquio, a recomendação NICE IPG665, o consenso da AAO-HNSF, resultados de ensaios aleatorizados e séries de dilatação com balão sob anestesia local em consultório.

Publicado a · Equipa editorial do curso IN OFFICE

A dilatação da trompa de Eustáquio com balão é usada em adultos com disfunção obstrutiva crónica da trompa que persiste apesar do tratamento médico. É feita cada vez mais sob anestesia local, o que a torna relevante para a otorrinolaringologia em consultório. Este artigo resume as definições, as recomendações e os dados dos ensaios.

Definir a disfunção da trompa de Eustáquio

O consenso internacional de 2015 (Schilder et al., Clinical Otolaryngology) descreve a disfunção da trompa de Eustáquio como uma síndrome com um conjunto de sinais e sintomas, e distingue três subtipos: dilatório, induzido por variações de pressão e patuloso. Refere que não existe um conjunto universalmente aceite de escalas de sintomas, testes funcionais ou sistemas de pontuação, e que o ETDQ-7 é o único questionário de resultados reportados pelo doente com estudos iniciais de validação.

Recomendações e consenso

  • A recomendação do NICE IPG665 (2019, que substitui a IPG409) considera que a evidência de segurança e eficácia é adequada para apoiar o procedimento, desde que existam as regras habituais, e que pode ser feito sob anestesia local ou geral.
  • O consenso clínico da AAO-HNSF sobre a dilatação da trompa com balão (Tucci et al., 2019) chegou a acordo em 28 afirmações para adultos com 18 ou mais anos e disfunção obstrutiva. Entre elas: a colocação prévia de tubos de ventilação não é obrigatória, a rinite alérgica, a rinossinusite e o refluxo laringofaríngeo devem ser tratados primeiro, e o ETDQ-7 é a medida de resultado mais fiável.

Dados de ensaios aleatorizados

Num ensaio multicêntrico aleatorizado e controlado (Poe et al., Laryngoscope 2018), a normalização do timpanograma às seis semanas foi de 51,8% após a dilatação contra 13,9% no grupo de controlo, e a normalização do ETDQ-7 foi de 56,2% contra 8,5%. Não houve eventos adversos graves relacionados com o dispositivo ou o procedimento. O seguimento aos 12 meses (Anand et al., 2019) mostrou benefícios clinicamente relevantes até às 52 semanas.

Dilatação com balão sob anestesia local

  • Sheppard et al. (Frontiers in Surgery, 2023) fizeram 47 dilatações em 30 doentes, em consultório e sob anestesia local. Uma tentativa foi interrompida por ansiedade, o desconforto médio foi de 4,7 numa escala de 1 a 10, o procedimento demorou 5,7 minutos por trompa, houve um enfisema subcutâneo autolimitado e todos os doentes tiveram alta imediata.
  • Balai et al. (Journal of Laryngology and Otology, 2025) descreveram 40 dilatações em 31 doentes sob anestesia local no Reino Unido. Todas foram bem toleradas, sem eventos adversos, e o ETDQ-7 desceu 6,75 pontos a curto prazo e 7,58 pontos a longo prazo.

Limites da evidência

Os dados de consultório vêm sobretudo de séries de casos de um só centro, e o próprio consenso deixou 28 afirmações sem acordo. A seleção cuidadosa dos doentes, o tratamento prévio da doença nasal e do refluxo e o uso de uma medida validada como o ETDQ-7 são os pontos comuns a todas as fontes.

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Fontes

  1. Schilder AG, et al. Eustachian tube dysfunction: consensus statement on definition, types, clinical presentation and diagnosis. Clin Otolaryngol. 2015;40(5):407-411. doi:10.1111/coa.12475
  2. NICE. Balloon dilation for chronic eustachian tube dysfunction. Interventional procedures guidance IPG665. 2019
  3. Tucci DL, et al. Clinical Consensus Statement: Balloon Dilation of the Eustachian Tube. Otolaryngol Head Neck Surg. 2019. doi:10.1177/0194599819848423
  4. Poe D, et al. Balloon dilation of the eustachian tube for dilatory dysfunction: a randomized controlled trial. Laryngoscope. 2018;128(5):1200-1206. doi:10.1002/lary.26827
  5. Anand V, et al. Balloon dilation of the eustachian tube: 12-month follow-up of the randomized controlled trial treatment group. Otolaryngol Head Neck Surg. 2019;160(4). doi:10.1177/0194599818821938
  6. Sheppard SC, et al. In-office Eustachian tube balloon dilation under local anesthesia. Front Surg. 2023;10:1033010. doi:10.3389/fsurg.2023.1033010
  7. Balai E, et al. Local anaesthetic Eustachian tube balloon dilatation: a prospective case-series analysis of 31 patients. J Laryngol Otol. 2025;139(8):681-686. doi:10.1017/S0022215125000465

Escrito para profissionais de saúde. Este resumo não substitui as publicações originais nem o juízo clínico.

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