Publicado a · Equipa editorial do curso IN OFFICE
A dilatação sinusal com balão, muitas vezes chamada balloon sinuplasty, alarga as vias naturais de drenagem dos seios perinasais com um balão montado num cateter, sem remover tecido. Pode ser feita no bloco operatório ou, em doentes selecionados, em consultório sob anestesia local. Este é um resumo do que as entidades de referência e os estudos clínicos referem.
O que dizem as recomendações e o consenso
- A recomendação do NICE para procedimentos de intervenção IPG273 (2008) considera que a evidência de eficácia a curto prazo é adequada e não levanta problemas de segurança importantes, desde que existam as regras habituais de governação clínica, consentimento e auditoria. A IPG273 descreve o procedimento sob anestesia geral.
- A recomendação do NICE para tecnologias médicas MTG30 (2016), sobre o sistema XprESS, refere que na sinusite crónica não complicada e sem polipose grave tem resultados semelhantes à FESS, uma recuperação mais rápida e pode ser feito mais vezes sob anestesia local. O NICE considera incerta a vantagem económica.
- O consenso clínico da AAO-HNSF sobre a dilatação dos seios com balão (Piccirillo et al., 2018) chegou a acordo em 13 afirmações. Entre elas: a TC dos seios é obrigatória antes da dilatação, o procedimento não está indicado em doentes sem sintomas nasossinusais e sem alterações na TC, e pode ser feito sob anestesia local com ou sem sedação.
Resultados em consultório
- Gould et al. (2014) trataram 81 doentes em consultório apenas com anestesia local. O sucesso técnico foi de 307 em 313 dilatações (98,1%), a dor média durante o procedimento foi de 2,8 em 10, não houve eventos adversos graves relacionados com o dispositivo ou o procedimento, e 1,3% precisaram de cirurgia de revisão ao fim de um ano.
- No estudo ORIOS 2 (Sikand et al., 2015), 122 doentes tratados em consultório foram seguidos em média durante 1,4 anos. A melhoria clinicamente relevante do SNOT-20 manteve-se e 7,4% fizeram cirurgia de revisão.
Dilatação com balão e FESS
Uma revisão sistemática com meta-análise de 2023 (Sinha et al.) incluiu 18 estudos, 7 deles na meta-análise. A diferença agregada entre a dilatação com balão e a FESS foi de 0,435, abaixo da diferença clinicamente relevante de 0,8, e os autores sublinham que a evidência de alta qualidade a comparar as duas técnicas continua limitada. Uma revisão Cochrane anterior (Ahmed et al., 2011) encontrou apenas um ensaio não publicado e nenhuma evidência convincente a favor do balão; é anterior à maioria dos dados atuais e serve sobretudo como contexto histórico.
Aspetos práticos em consultório
O consenso torna a TC obrigatória e reserva o procedimento para doentes com sintomas e alterações imagiológicas. Os peritos ouvidos pelo NICE aconselham começar sob anestesia geral no bloco antes de passar ao ambulatório e ao consultório. A técnica de anestesia tópica e local, a seleção dos doentes e a capacidade de converter ou parar o procedimento fazem parte da curva de aprendizagem.
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Fontes
- NICE. Balloon catheter dilation of paranasal sinus ostia for chronic sinusitis. Interventional procedures guidance IPG273. 2008
- NICE. XprESS multi-sinus dilation system for treating chronic sinusitis. Medical technologies guidance MTG30. 2016
- Piccirillo JF, et al. Clinical Consensus Statement: Balloon Dilation of the Sinuses. Otolaryngol Head Neck Surg. 2018;158(2):203-214. doi:10.1177/0194599817750086
- Gould J, et al. In-office, multisinus balloon dilation: 1-year outcomes from a prospective, multicenter, open label trial. Am J Rhinol Allergy. 2014;28(2):156-163. doi:10.2500/ajra.2014.28.4043
- Sikand A, et al. Office-based balloon sinus dilation: 1-year follow-up of a prospective, multicenter study. Ann Otol Rhinol Laryngol. 2015;124(8):630-637. doi:10.1177/0003489415573830
- Sinha P, et al. Balloon sinus dilation versus functional endoscopic sinus surgery for chronic rhinosinusitis: systematic review and meta-analysis. Ann Otol Rhinol Laryngol. 2023;132(5):578-588. doi:10.1177/00034894221104939
- Ahmed J, et al. Functional endoscopic balloon dilation of sinus ostia for chronic rhinosinusitis. Cochrane Database Syst Rev. 2011;(7):CD008515
Escrito para profissionais de saúde. Este resumo não substitui as publicações originais nem o juízo clínico.