Publicado a · Equipa editorial do curso IN OFFICE
A laringologia foi uma das primeiras áreas da otorrinolaringologia a passar procedimentos do bloco para o consultório, com endoscópios flexíveis com canal de trabalho, anestesia tópica e lasers conduzidos por fibra. Este artigo resume o consenso europeu atual e a evidência publicada sobre os principais procedimentos com o doente acordado.
O consenso europeu de 2026
O consenso europeu sobre laringologia em consultório (Lechien et al., Laryngoscope 2026) reuniu 25 laringologistas da British Laryngological Association, da European Laryngological Society e da Union of European Phoniatricians. Com um processo Delphi que exigia pelo menos 80% de acordo, aprovou 60 afirmações em duas rondas de votação. As principais indicações incluem pólipos, edema de Reinke, varizes e leucoplasia, além de biópsias, granulomas, papilomatose e aumento das cordas vocais em casos selecionados.
Lasers em consultório
- A posição da AAO-HNS sobre o tratamento com laser fotoangiolítico da patologia laríngea em consultório (2014, revista em outubro de 2024) descreve-o como um tratamento cirúrgico estabelecido, feito sob anestesia local ou tópica com endoscópio flexível.
- Uma revisão de Tibbetts e Simpson (2019) descreve o laser KTP de 532 nm como o laser de eleição para tratar em consultório várias lesões da laringe, com fibras passadas pelo canal de trabalho do laringoscópio flexível.
- Numa série de 443 casos de laser laríngeo em consultório, com três comprimentos de onda (Koufman et al., 2007), não houve complicações significativas.
- Para o laser azul de 445 nm, Hess et al. (2018) descreveram efeitos nos tecidos comparáveis aos do laser KTP, com capacidade adicional de corte. Os autores apresentam-no como um relatório preliminar e pedem mais estudos sistemáticos.
Injeção nas cordas vocais com o doente acordado
Numa revisão multicêntrica de 460 injeções nas cordas vocais (Sulica et al., Laryngoscope 2010), 51% foram feitas em doentes acordados e sem sedação. O sucesso técnico foi de 99% com o doente acordado e de 97% sob anestesia geral, com complicações de 3% e 2%, e a proporção de injeções com o doente acordado subiu de 11% para 43% entre 2003 e 2008. Uma análise canadiana de minimização de custos (Tam et al., 2017) estimou 943,19 dólares canadianos por doente na laringoplastia de injeção, contra 2499,10 na tiroplastia de medialização.
Esofagoscopia transnasal e biópsia em consultório
- Num estudo prospetivo de esofagoscopia transnasal em consultório (European Archives of Oto-Rhino-Laryngology, 2019), 35 de 41 procedimentos tentados (85,3%) foram concluídos, houve reações vasovagais em 4,9%, e o custo na suspeita de carcinoma da hipofaringe foi de 583,54 euros contra 1414,95 euros sob anestesia geral.
- Uma avaliação de tecnologia de saúde do Ministério da Saúde da Malásia (MaHTAS) não encontrou perfurações esofágicas nem complicações major, e concluiu que a TNE é bem tolerada e pode ser feita com segurança em consultório com anestesia tópica, classificando a evidência como razoável.
- Uma revisão sistemática da biópsia laríngea em consultório (Swaminathan et al., 2023; 35 estudos) encontrou sensibilidade e especificidade entre 60% e 100%, e apontou a baixa sensibilidade como a principal limitação.
O que isto significa na prática
A laringologia em consultório tem o apoio de um consenso europeu e de grandes séries de casos, mas grande parte da evidência continua a ser observacional, e a sensibilidade diagnóstica limita a biópsia em consultório. A formação em anestesia tópica, endoscopia flexível com canal de trabalho e segurança no uso do laser é a base para começar estes procedimentos.
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Fontes
- Lechien JR, et al. European Practice Consensus on Office-Based Laryngology. Laryngoscope. 2026. doi:10.1002/lary.70869
- AAO-HNS. Position Statement: In-Office Photoangiolytic Laser Treatment of Laryngeal Pathology. 2014, revised 2024
- Tibbetts KM, Simpson CB. Office-based 532-nanometer pulsed KTP laser procedures in laryngology. Otolaryngol Clin North Am. 2019;52(3):537-557. doi:10.1016/j.otc.2019.02.011
- Koufman JA, et al. Office-based laryngeal laser surgery: a review of 443 cases using three wavelengths. Otolaryngol Head Neck Surg. 2007;137(1):146-151. doi:10.1016/j.otohns.2007.02.041
- Hess MM, et al. New 445 nm blue laser for laryngeal surgery combines photoangiolytic and cutting properties. Eur Arch Otorhinolaryngol. 2018;275(6):1557-1567. doi:10.1007/s00405-018-4974-8
- Sulica L, et al. Current practice in injection augmentation of the vocal folds. Laryngoscope. 2010;120(2):319-325. doi:10.1002/lary.20737
- Tam S, et al. Medialization thyroplasty versus injection laryngoplasty: a cost minimization analysis. J Otolaryngol Head Neck Surg. 2017;46:14. doi:10.1186/s40463-017-0191-5
- Prospective study of office-based transnasal oesophagoscopy. Eur Arch Otorhinolaryngol. 2019. doi:10.1007/s00405-019-05357-0
- MaHTAS, Ministry of Health Malaysia. Transnasal Oesophagoscopy (TNE). Health Technology Assessment report
- Swaminathan R, et al. A systematic review on efficacy, safety and cost-effectiveness of office-based laryngeal biopsy. J Laryngol Otol. 2023;137(9):946-952. doi:10.1017/S0022215122001566
Escrito para profissionais de saúde. Este resumo não substitui as publicações originais nem o juízo clínico.